quarta-feira, 23 de junho de 2010

JOAQUIM PACHECO


SENTIDA HOMENAGEM

PICOTA N 23-06-1932 … F 16-03-2005

Chamava-se Joaquim Pacheco, nasceu no lugar de Tojinho, na freguesia de Novelas a 23 de Julho de 1932 e foi durante o percurso da sua vida carinhosamente tratado por “Picota”, nome porque era conhecido.
Foi um servo do trabalho árduo na época em que viveu, tornando-se mais tarde em criado de servir na Quinta da Folha, cujos patrões muito dele careciam e sempre se orgulharam.
Falar deste homem, é falar de um testemunho de coragem, de força e de vida, na terra que o viu nascer.
Desde muito cedo sem pai nem mãe entregue aos destinos da vida e do mundo, amaldiçoado por alguns a quem sempre se impôs com a sua força, garra e respeito chamando à razão quem de direito, venceu sempre as batalhas e lutas, contra os destinos que lhe foram impostos.
Solteirão por devoção e o mais novo de uma família de cinco irmãos, cortava e carregava o mato sempre descalço, tendo sido jornaleiro inicialmente na Quinta da Folha, onde foi sempre tratado com dignidade, e nos últimos 50 anos na casa que o acolheu “A Casa das Melas” terminou os últimos dias da sua vida.
Várias foram as vezes em que, Joaquim Pacheco se cruzou com José da Silva Ferreira, levando á criação de uma longa-metragem pelos Jovens de Novelas Penafiel, intitulada José Raia/Joaquim Picota Crossed lives. Uma história retratada por um seu companheiro e amigo, onde Miguel Oliveira PNF representa o percurso do Quim aos vinte anos e Luís Barbosa de Novelas deu a sua continuidade.
Esta longa-metragem fez estreia no Salão Polivalente da Junta de Freguesia de Novelas, sendo de salientar que o Quim marcou Novelas e deixou um registo de afoiteza.
Com uma grande compleição física por todos era temido sendo várias vezes chamado para ajustar contas noutras aldeias, por cargas de porrada sofridas pelos seus companheiros.
Fez no dia a 16 de Março de 2010, cinco anos que subitamente o seu coração deixou de bater aos 72 anos, era um homem justo, amigo e leal, que naturalmente sentimos a sua falta, e que hoje faz parte das boas memórias de Novelas.

A nossa sentida homenagem.

Novelas




sábado, 12 de junho de 2010

FERNANDO SANTOS E FERNANDO VIEIRA



SENTIDA HOMENAGEM


FERNANDO SANTOS - Um amigo do ambiente.
FERNANDO VIEIRA - Um amigo que nunca fez mal a ninguém.


Naquela tarde a Freguesia de Novelas chorou a morte de mais um ente querido. O amigo da natureza, Fernando Santos "Chica" deixou para sempre o mundo dos vivos para aquilo que todos esperam. A Paz, a Felicidade e uma Outra Vida com tudo o que a vida na Terra não lhe proporcionou e na forma como passou os últimos dias entre nós.
Muito próximo a Freguesia de Novelas voltou novamente a chorar desta vez via partir Fernando Vieira – “Careca” Um amigo que nunca fez mal a ninguém.
Já algum tempo que Fernando Santos, procurava nos familiares e amigos um ombro para poder aliviar a angústia que sentia da vida. A sua dor transformada em Alegria caracterizava a sua difícil existência e que esteve também presente nos últimos momentos.
Por outro lado o Fernando Vieira tinha feito uma intervenção cirúrgica recentemente, e notava-se a sua decadência e a sua força em resistir, embora preferisse viver a sua dor sozinho.
Mas o que falhou? Porque é que a vida é tão cruel para algumas pessoas? Qual a força que comanda um destino tão ruim para algumas vidas? Tentar responder a estas perguntas não se afigura uma tarefa fácil. A vida humana e tudo o que a ela diz respeito, é o mais bem guardado mistério que existe.
O Fernando Santos foi uma pessoa sem sorte na vida, sem momentos felizes, sem uma oportunidade de mudar o rumo traçado por um destino tão amargo. Oriundo de uma família honesta e humilde, desde cedo este homem descobriu que o sonho de uma existência sem sobressaltos era apenas uma miragem.
Ambos, mostravam de um forma tão prematura a falta pelo carinho materno que perderam apesar de sempre apoiado pela sua família mas a verdade e que a vida fora com eles madrasta.
Mas porque é que a vida é feita de tanta má sorte e tanta injustiça? O que é que estes homens fizeram de errado para ter uma existência ultimamente tão desarranjada? É assim infelizmente o mundo em que vivemos. Por mais que se pense, que se tente achar uma explicação, nenhuma hipótese faz sentido. Nem a Filosofia consegue ser coerente nas soluções que encontra para alguns fenómenos que fazem parte do universo do Ser Humano.
Mas uma coisa é certa, os dois foram realmente diferentes da maioria de um povo, e morreram pobres, só porque nunca roubaram ninguém.
Aqui fica a sentida homenagem a dois homens que sempre tentaram encontrar a felicidade e só se depararam pela frente barreiras à realização desse desejo.
Apesar da vida lhe ser tão cruel, reconhecemos o seu trabalho inserido no Novelartecine em que Fernando Vieira, desempenhou o papel de Raia com momentos muito alegres e o Fernando Santos deixa-nos boas recordações com o seu conhecimento.

Na lápide onde descansa Fernando, foi colocado posteriormente pela família a frase que melhor correspondia a quem não o compreendia.
"O refugio dos fortes é a incompreensão dos fracos"!
Paz á sua alma.


Novelas






domingo, 30 de maio de 2010

O PAÍS DO CARNAVAL!



O PAPA!

No dia em que o papa chega a Portugal, passo uma leitura atenta pelo livro de Jorge Amado que me levou a colocar o título neste artigo: “ O País do Carnaval”.
Com certeza fiquei esclarecida aquando da leitura, daquilo que somos hoje. Nós gente sem solução, fechada em si mesma, perdida numa terra que nos dá a todo o momento a sensação de que sobramos e somos demais.
A vinda do Papa a Portugal, acordou em mim velhas revoltas já sufocadas e recalcadas contra a vida e a humanidade.
Estamos a viver o momento de tédio e assistimos com melancolia à vinda dos que ainda acreditam que é possível Modificar.
Será necessário tudo isto?
Somos de uma tão grande inutilidade, que só sentimos em aspiração acontecimentos como este.
São poucos, os que procuram pensar e criar, olhando para o caos do país em que nascemos, que me leva a interrogar: Será que o nosso país está em tédio e desespero? “É bem possível que o tédio esteja em nós e não no país.”
A nossa fé, só tem peso em circunstâncias de desespero e os efeitos são imprevisíveis. Cristo ilumina cada um de nós em todos os nossos dias.
Vamos aproveitar e edificar essa herança, porque ninguém dura o tempo suficiente, para a realizar.







sexta-feira, 28 de maio de 2010

DVD - 23 "JOSÉ GOMES FERREIRA"


UNICEPE!
Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, CRL


Há 46 anos. A Unicepe, Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto foi constituída em 1963, sem fins lucrativos, conseguindo ao longo do tempo, atingir alguns dos seus objectivos. Outros permanecem, outros surgirão. Um dos propósitos da sua génese - manter a Unicepe como um LUGAR DE AFECTOS. Nela podem encontrar-se não só livros, como também discos, revistas; há um espaço para exposições. Se é um dos nossos associados, apareça, porque há novidades que lhe agradarão. Se ainda não é um dos nossos associados, associe-se - são inúmeras as vantagens, venha conhecê-las.


Homenagem ao poeta JOSÉ GOMES FERREIRA

José Silva

Nascido no Porto, José Gomes Ferreira muda-se com quatro anos para Lisboa onde, criado "longe das árvores, no roldão poeirento das cidades"(palavras do autor), se inicia nos poetas saudosistas- e especialmente Raul Brandão- nos liceus de Camões e de Gil Vicente, com o Prof.Leonardo Coimbra. Dirige, muito novo, a revista "Ressurreição", onde chega a colaborar com Fernando Pessoa num soneto. Dedica-se também à música, com composições musicais como o poema sinfónico "Idílio Rústico", que foi executado pela primeira vez pela orquestra de David de Sousa, no Teatro Politeama, o que provocou em Leonardo Coimbra "um largo sorriso incitador".
Por influência do pai (democrata republicano), cedo ganhou consciência política (em desafio polémico, por exemplo, queima no café Gelo um retrato de Sidónio Pais, que não muito tempo depois será vítima de um atentado que lhe é fatal), e alista-se em 1919, acabado o treino militar em Tancos, no Batalhão Académico Republicano (já era também sócio da Liga da Mocidade Republicana).
Licencia-se em Direito em 1924, trabalhando depois como Cônsul na Noruega (Kristiansund). Regressando em 1930, dedica-se ao jornalismo (colaboração na "Presença", "Seara Nova", "Descobrimento", "Imagem" - revista de cinema - "Kino", "Sr.Doutor" - revista infantil, onde começa a publicar periodicamente as "Aventuras de João Sem Medo" -, e "Gazeta Musical e de Todas as Artes") e à tradução de filmes (sob o pseudónimo de Álvaro Gomes).
Inicia-se na poesia com o poema "Viver sempre também cansa", escrito a 8/5/1931, e publicado na "Presença" nº 33 (Julho-Outubro), e apesar de já ter publicado anteriormente os livros "Lírios do Monte" (obra que depois renegou) e "Longe" (1ª e 2ª edições em 1918 e 1921, respectivamente), só em 1948 começa a publicação séria do seu trabalho, nomeadamente com "Poesia I" e com a colaboração na "Homenagem Poética a Gomes Leal".

Bruna Meireles/Luisa Meireles/Ana Santos

Contando já com vasta obra publicada, em prosa e em verso, ganha em 1961 o "Grande Prémio da Poesia" da Sociedade Portuguesa de Escritores, patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian, com a sua obra "Poesia III".
Comparece a todos os grandes momentos "democráticos e antifascistas" e, pouco antes do MUD (Movimento Unitário Democrático), colabora com outros poetas neo-realistas num álbum de canções revolucionárias compostas por Fernando Lopes Graça, com a sua canção "Não fiques para trás, ó companheiro".
Presidente da Associação Portuguesa de Escritores em 25/4/78, foi candidato no ano seguinte da APU (Aliança Povo Unido) por Lisboa, nas intercalares desse ano. Em Fevereiro do ano seguinte filia-se no PCP (Partido Comunista Português) e recebe em Junho de 1981 a distinção de cidadão honorário de Odemira. É ainda condecorado pelo Presidente Ramalho Eanes como grande oficial da Ordem Militar de Santiago de Espada, recebendo mais tarde o grau de Grande Oficial da Ordem da Liberdade.
Submetido a uma delicada intervenção cirúrgica em 1983 (ano em que é homenageado pela Sociedade Portuguesa de Autores), José Gomes Ferreira, casado e pai de dois filhos (o arquitecto Raúl Ferreira e o poeta Alexandre Vargas), viria a falecer dois anos depois, vítima de uma prolongada doença que o impossibilitava de se levantar da cama. O actual presidente da República, Jorge Sampaio, descerra em 1990, na qualidade de Presidente da Câmara de Lisboa, uma lápide de homenagem ao escritor, no prédio da Avenida Rio de Janeiro, sua última morada.

Ramalho/Daniel

Na memória e no papel fica a sua vasta obra, que marcou todo esse vasto período de quase um século.

Novelas 28 de Abril de 2010







quinta-feira, 27 de maio de 2010

DVD - 62 "AGOSTINHO DA SILVA".

LEMBRAR O POETA!


       Estamos no meio de eleições. Aconteceu já no passado dia 7 de Junho para o parlamento Europeu. Teremos no próximo dia 27 de Setembro as Legislativas. Depois no dia 11 de Outubro as Autárquicas
       Estamos, portanto, convocados a ir votar. Há quem torça o nariz. Mas a questão é séria. Exige ponderação. Pior do que votar mal é não votar. Abstermo-nos, em política, é sempre a pior opção.
        Só a política é capaz de acabar com a fome, a miséria, a corrupção. Só a política pode assegurar a saúde, a segurança, a educação. Só a política nos pode conferir a liberdade, prosperidade e paz.
        Por isso vamos votar. Em branco se for preciso. Mais vale votar em branco do que sentirmo-nos constrangidos a votar em políticos que o que nós mais queremos e precisamos é vê-los pelas costas.
        No dia 24 de Junho, não houve eleições, mas houve, na unicepe, mais um encontro de poesia e música e correu muito bem. Foi uma maravilha!

Texto de: José Alves Silva.

Canta João Teixeira



Novelas, 27 de Maio de 2010





segunda-feira, 17 de maio de 2010

COMPUTADORES, TELEMÓVEIS…


Difícil de entender!


Sou experiente já á mais de duas décadas, e interrogo-me muitas vezes, como pode ser retirado, o conceito de família numa sociedade, introduzindo de uma forma gratuita informação destrutível na memória do jovens e crianças, oferecendo-lhes aparelhos para terem acesso á mesma informação, viciando-os de uma forma inadvertida e afastando-os da sua saudável juventude.

 Os aparelhos da nova geração, incluindo telemóveis, Playstation, netbook, o sistema GSM, Iphone, SmartPhone, mp3, computador etc. etc. etc., alguns que em jovens e crianças, induzem á violência a partir da imitação, deveriam levar-nos a reflectir sobre o que realmente queremos para as novas gerações.
Alguns pais aqui mesmo em Novelas e noutros locais, resistem e lutam para as valorizar e abrir os alicerces do bem-estar presente e das gerações futuras, mas outros há que se deixam arrastar para não se incomodarem, sendo muitas vezes surpreendidos com crianças e jovens no uso de frases e atitudes que poderiam chocar a humanidade e o mundo.
É urgente entender, quais os problemas dos Jovens ou das crianças, que passam horas diante de qualquer uma destas máquinas e como elas podem provocar alterações comportamentais, influenciadas por diversas situações a começar pelo Isolamento do convívio social e do contacto humano.
É uma epidemia que retira aos jovens e crianças o mais elementar entre o elementar, escrever com a sua própria mão e saber o resultado de uma multiplicação.
O comportamento irresponsável ou compulsivo, aliado ao uso excessivo da tecnologia, pode resultar na redução da sociabilidade, podendo mesmo conduzir a uma triste dependência.
Num concerto no ano de 2005, Bono Vox do U2 já alertava para o perigo, cellular devices very dangerous, mas agora as tecnologias são oferecidas ás crianças e aos jovens, ainda numa maior variedade e diversidade de escolhas.
Em casa, na escola, hoje, a tecnologia coloca o mundo na palma da mão.
Para se estar seguro, tem de se estar presente e sempre preparado para as eventualidades.
Assuma o seu papel e responsabilidades específicas, envolvendo-se no assunto e tomando o controlo activo sobre a situação dialogando com os seus filhos, sobre os benefícios e sobre os riscos a que podem estar expostos. Descubra e desenvolva a sensibilização para a segurança dos jovens e crianças e faça disto um esforço contínuo para que seja devolvido o conceito de família.

Novelas 17 de Maio de 2010






sábado, 8 de maio de 2010

EM MEMÓRIA DE VITOR HUGO QUINTELA.


 JOVEM VITOR HUGO QUINTELA
1981 – 2010



Ao longo dos anos e desde a fase da minha juventude, vi desaparecer pessoas queridas de quem gosto e amo. Tenho procurado ser coerente e consequente nos meus
pensamentos, na minha actuação e sempre considerei que está na juventude o suporte essencial do futuro das sociedades e da humanidade.
É natural que glorifique e admire de uma forma muito forte os jovens que, numa sociedade tão perturbada e tão aliciadora, que tudo nos oferece de uma forma supérflua ou doentia e nos retira momentaneamente aqueles que mais amamos, fazendo-nos passar dor e um tremendo sofrimento.
Neste quadro manifesto de uma forma sentida, muito profunda e dolorosa, a morte recente do jovem e colega de trabalho Vitor Hugo Mendes da Silva Quintela de 29 anos, num terrível acidente de viação na sequência de despiste na A4, na manhã do dia 04 de Maio de 2010 pelas 07:30h junto ao nó de Gandra, Paredes, quando os cinco amigos voltavam a casa, após uma noite divertida no Queimódromo do Porto, depois de verem o concerto dos escoceses Franz Ferdinand.
É natural o lamento e pesar por aqueles que nos deixam, mas temos que tirar daí lições daquele terrível e aparatoso acidente que ocorreu ao quilómetro 23, no sentido Porto Amarante, em Gandra.
Além de uma VMER e de uma ambulância dos Bombeiros de Baltar, parou ainda um helicóptero em plena auto-estrada para transportar o Vítor, tendo de ser cortada a circulação entre os nós de Campo e Baltar, nos dois sentidos.
Os votos e as homenagens ao Vitor não podem ficar por meros actos circunscritos ao momento da sua morte. O desafio é que, quase todos e em particular os que estão em idade jovem, estejam atentos aos perigos.
Vitor Hugo Mendes da Silva Quintela
era um jovem bem disposto, simpático e amigo, mantendo sempre aquilo que cada vez vai sendo mais raro: um homem de carácter, natural de Novelas, Penafiel, onde vivia com os pais, empenhou-se no trabalho com uma forte cooperação entre o Serviço e a Universidade, cimentando uma grande relação de amizade.
Desempenhava com a sua entrega, inteligência e sacrifício o sucesso das suas funções nas Piscinas Municipais de Paço de Sousa e era também professor de Educação Física nas Actividades de Enriquecimento Curricular nas escolas de Pedrantil, em Croca e de Covilhô, em Novelas.
Era o mínimo que de forma sentida e justa a sua vida me obriga a que lhe preste a devida homenagem.


É duro, muito duro, não viveu o suficiente para poder morrer.
Paz à alma do Vitor, eterno descanso e respeito pela sua memória.

 

Novelas 22 de Maio de 2010







domingo, 25 de abril de 2010

COMEMORAÇÕES 25 DE ABRIL.

25 de Abril de 2010

Com 25 de Abril sempre!

É PRECISO SALVAR ABRIL!
Por mais que o tempo faça esquecer, também o tempo é mordaz. E apesar do tempo matar a memória, o povo já foi de memória curta e não vai deixar esquecer.

VERDADEIRA HISTÓRIA!
Ao longo da história, o país através do partido único designado "União Nacional", foi controlado pelo poder através de Oliveira Salazar até 1968, quando este lhe foi retirado por incapacidade, na sequência de uma queda, que viria mais tarde a culminar na sua morte em 1970, como consta com (uma cadeira partida na cabeça) sendo substituído por Marcelo Caetano, até ser deposto no 25 de Abril de 1974. Quase como hoje mas de uma maneira diferente, Marcelo Caetano seguia de uma forma mais branda a ditadura, e chamaram-lhe por isso a Primavera Marcelista ou ditadura branda, nesse sentindo o mesmo age a seu modo, governa em isolamento, faz o que pode mas um dia virá em que já nada pode fazer.




ABRIL ESTAVA PRÓXIMO!
 
Qualquer tentativa de reforma política era impedida pela própria inércia do regime e pelo poder da sua polícia política (PIDE) e em Fevereiro de 1974, Marcelo Caetano é forçado pela velha guarda do regime a destituir o general António de Spínola e os seus apoiantes e conhecidas as divisões existentes no seio da elite do regime, o MFA decide então levar adiante um golpe de estado.



A CONSPIRAÇÃO!
 
O movimento nasce secretamente em 1973, nele estão envolvidos oficiais do exército que já conspiravam, descontentes por motivos de carreira militar. Preparava-se então o golpe e no dia 5 de Março de 1974 é aprovado o primeiro documento do movimento: Os Militares, as Forças Armadas e a Nação. No dia 24 de Março na última reunião clandestina, decide-se o derrube do regime pela força, e no dia 24 de Abril de 1974, um grupo de militares comandados por Otelo Saraiva de Carvalho instalou secretamente o posto de comando do movimento golpista.



ABRIL NO CORAÇÃO DE UM POVO!
 
Às 22h 55m é transmitida a canção "E depois do Adeus", de Paulo de Carvalho, pelos Emissores Associados de Lisboa.
Este foi um dos sinais previamente combinados pelos golpistas, que desencadeou a tomada de posições da primeira fase do golpe de estado e o segundo sinal foi dado às 0h20, quando foi transmitida a canção "Grândola, Vila Morena", de José Afonso, pelo programa Limite, da Rádio Renascença, que confirmava o golpe e marcava o início das operações.




O DESENCADEAR DAS OPERAÇÕES!
 
O golpe militar do dia 25 de Abril teve a colaboração de vários regimentos militares, no Norte, uma força do CICA 1, reforços de Lamego e Viana do Castelo, controlaram pontos estratégicos a salientar a RTP e levaram o regime a reagir, o ministro da Defesa ordenava assim a forças sediadas em Braga para avançarem sobre o Porto, o que não foi obedecido, já que estas já tinham aderido ao golpe. À Escola Prática de Cavalaria, que partiu de Santarém, procedeu à ocupação do Terreiro do Paço, comandadas pelo Capitão Salgueiro Maia e o Terreiro do Paço foi ocupado às primeiras horas da manhã. Salgueiro Maia moveu, mais tarde, parte das suas forças para o Quartel do Carmo onde se encontrava o chefe do governo, Marcelo Caetano, que ao final do dia se rendeu, tendo da revolução resultado na morte de 4 pessoas pela polícia política (PIDE).



O MITO DO CRAVO
 
Logo ao amanhecer o povo começou a juntar-se nas ruas, juntamente com os soldados revoltosos e é então que uma florista, que levava cravos para um hotel, terá dado um cravo a um soldado, que o colocou no cano da espingarda, outros o imitaram, enfiando cravos vermelhos nos canos das suas armas, nascendo então a revolução dos Cravos. Os sindicatos livres e os partidos foram legalizados, foram libertados os presos políticos, da Prisão de Caxias e de Peniche, os líderes políticos da oposição e os cantores ligados a Abril, como Luís Cília, Francisco Fanhais, Tino Flores e muitos outros no exílio voltaram ao país nos dias seguintes.



AS PRIMEIRAS ELEIÇÕES LIVRES
 
No dia 25 de Abril de 1975 realizaram-se as primeiras eleições livres, para a Assembleia Constituinte, que foram ganhas pelo PS, mas o 25 de Abril de 1974 contínua a dividir a sociedade portuguesa, sobretudo nos estratos mais velhos da população que viveram os acontecimentos, e nas pessoas politicamente mais empenhadas.
Hoje existem actualmente quatro pontos de vista dominantes na sociedade portuguesa em relação ao 25 de Abril:· Uma é de que se deveria partir uma cadeira na cabeça de alguns, que tendem a transformar Abril numa ditadura branda. Outra é que quase todos reconhecem, de uma forma ou de outra, que o 25 de Abril representou um grande salto no desenvolvimento político-social do país, dando origem à nova classe social dos novos-ricos. A outra é de que as pessoas mais à esquerda do espectro político tendem a pensar que o espírito inicial da revolução se perdeu. E ainda alguns mantêm as raízes e lamentavelmente levam em frente tudo o que podem. Abril é de todos, mas a realidade é que, teremos a todo o custo que entender, que desde que nascemos, tornamo-nos sujeitos de deveres e de direitos, apesar de hoje nos quererem sonegar esses mesmos direitos. A ditadura por muito que custe terminou, são muitos os poetas, que ainda hoje aclaram e cantam, não música pimba mas cantigas e poemas, que fazem realmente lembrar Abril. Muito são os resistentes que continuam a lembrar Abril, e muitos outros que continuam, o que antes e depois da Revolução dos Cravos, poetas portugueses escreveram sobre as ideias de liberdade e solidariedade, contra a ditadura. Esta foi a melhor herança sobre a REVOLUÇÃO DOS CRAVOS, onde penso que há muito ainda a fazer. No entanto também há, quem se lamente que a revolução não tenha ido mais longe e que muitas das conquistas da revolução se foram perdendo. Mas este dia é, um dia que demarca a viragem da história, na cultura de um povo e onde todos devem participar e não deixar o tempo fazer esquecer, mas sabemos que para alguns o tempo é malicioso e mata a memória. O conhecimento das acções de Abril, devem servir para poder unir e dar as mãos, pelos ideais com que foi criado, no entanto continuo-o a pensar que só no dia da revolução é que foi possível faze-lo. Salgueiro Maia não era um oficial crente nos amanhãs, dizem até que era conservador mas, perdoem-me a vulgaridade, “tinha-os no sítio” e para dar lume a uma revolução mais vale um conservador com “eles no sítio” do que desertores da coragem no momento da verdade, porque aí o povo estava unido, e tudo era preparado atempadamente.




Eu como sempre vou festejar a revolução, desta vez com amigos e família.
Viva o 25 de Abril
com Abril sempre!

Novelas 25 de Abril 2010